Responda rápido, assim, à queima roupa, sem pensar muito: por que pecamos tanto? Provavelmente a sua resposta será bem parecida com a minha - que sinceramente não faz sentido algum.
Arrumar desculpas para nossos atos pecaminosos já se tornou de praxe. Somos mestres em tecer comentários acusadores sobre o erro dos outros, apontar a falha de um irmão, exigir mudança no comportamento de alguns líderes - mas somos incompetentes e fracos quando o assunto é enxergar a sujeira que nós mesmos varremos para debaixo do tapete de nossas aparência.
Se a propaganda é a alma do negócio, na mesma intensidade a nossa máscara é a alma de nossa sobrevivência.
Pouco importará o que fizemos no nosso esconderijo mais escuro, se mantivermos a aparência de santos. E o mais interessante é que a máscara nos cai muito bem. Nos sentimos confortáveis quando estamos com ela. Não precisamos expor nossos verdadeiros sentimentos pelo vizinho barulhento, não nos é requerido dizer o que realmente pensamos sobre o professor da faculdade ou sobre aquela menina esquisita que acabou de entrar pela porta da sala. A máscara nos protege. O escudo da aparência é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente no nosso enfadonho dia-a-dia.
No entanto, mesmo quando nos defrontarmos com o poder da cruz, que nos reconcilia com Deus e nos traz nova vida, o nosso falso eu permanecerá irredutível... ele não desiste fácil assim. O conforto das aparências continuará a assolar nossos desejos, a urgência da nossa auto renúncia se verá ameaçada pelo prazer inegável que existe por trás da máscara.
Esta ansiedade em mostrar ao público um eu perfeito, imaculado, limpo e justo se dá devido ao nosso culto à performance. Não veneramos a simplicidade do Evangelho, mas sim a eloquência das palavras ditas, o profeta exibicionista, o pop, o famoso, etc. Cultuamos as aparências e não conseguimos viver sem elas. Pouco importa saber quem realmente sou eu, se o mundo inteiro está de pé, aplaudindo minha performance.
"A vida em torno do falso eu gera o desejo compulsivo de apresentar ao público uma imagem perfeita, de modo que todos nos admirem e ninguém nos conheça." (Brennan Manning)
O show sentou no trono dos nossos corações, estabeleceu seu reinado de belezas frágeis e falsas, e rege nossa conduta como se fôssemos marionetes em suas mãos.
Eu, porém, um mascarado como qualquer um, deixei cair minha máscara em algum lugar e agora imploro com o coração acelerado: se alguém a encontrar, por favor, não me faça saber onde está.
by GG
















