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Pipoca&Letra 008."A Origem"

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Os que me conhecem há mais tempo sabem o quanto é difícil me ver surpreso com um filme.

No entanto, Christopher Nolan já tinha conseguido me surpreender em outros de seus longas, como no incrível “Amnésia”, ou no competente “Batman Begins”, no impecável “Batman – O Cavaleiro das Trevas” e até no fraco (opinião minha) porém bem feito “O Grande Truque”.

A trama gira em torno de um grupo de ladrões especializados em um tipo de roubo: eles invadem sonhos e furtam ali os segredos da vítima. Don Cobb (Leonardo DiCaprio), um homem com alguns segredos escondidos em seu passado, é o líder deste grupo, que tem, dentre outros integrantes, um ajudante importante na trama, vivido pelo excelente ator Joseph Gordon Lewit (“500 Dias com Ela”). Após um destes trabalhos, porém, a equipe precisa ser “reconstruída” para que eles possam fazer o seu último trabalho que, ao contrário do que eels estão acostumados, não se trata mais de tirar de  alguém um segredo através dos sonhos, mas de implantar na vítima uma ideia – fazer uma inserção.

“Inception” é bem executado e, ao contrário do que alguns disseram nos últimos dias, não é um filme difícil de se compreender – a não ser que você não esteja disposto a prestar atenção a um filme cerebral e inteligente.

Com um roteiro bem dinâmico, “A Origem” me pegou por vários motivos, dentre os quais preciso destacar um que eu estou acostumado a valorizar muito: quando um filme parece debochar dos espectadores, explicando de 5 em 5 minutos o motivo de tal acontecimento, eu fico irritado – o que não acontece aqui. A história nos é contada de maneira compreensível e sempre confiando na nossa inteligência, o filme não nos trata como completos idiotas, forçando a barra em momento algum, e isso é um dos motivos de eu dizer que este é SIM um filme grandioso, apesar de ainda não ser dos melhores de Nolan.

O elenco trabalha bem e é responsável pela boa condução do enredo, mas Ellen Page, que tem uma certa importância para o desenvolvimento da trama, está terrivelmente apagada, enquanto outros personagens, que talvez não devessem ter tanta importância, roubam a cena constantemente. A excelente Marion Cotillard dá seu show particular, passeando com classe entre uma personagem de amada à odiada entre uma e outra cena. Leonardo DiCaprio mostra o porquê de ser um dos atores mais interessantes da atualidade, fazendo com originalidade um papel muito semelhante ao vivido por ele mesmo em “A Ilha do Medo”. Joseph Gordon Lewit prova sua competência como ator mais uma vez, e consegue surpreender em alguns momentos. Além deles, o restante do elenco cumpre sua função com competência.

As cenas de ação são fantásticas e os efeitos especiais são excelentes e totalmente orgânicos – nunca são usados por motivos banais, sempre à favor da trama – e nos maravilham com cenas impecáveis e impressionantes. No entanto, quando não existe movimento e o foco das cenas é o diálogo, alguns problemas começam a surgir e o filme perde um pouco seu ritmo – o que se faz totalmente compreensível, pois é aqui que ficamos à par das teorias que explicam as cenas que estão por vir.

Um outro ponto alto de “A origem” é a trilha sonora de Hans Zimmer, muito parecida com a criada por ele mesmo para “O Cavaleiro das Trevas”, também dirigido por Nolan. Trilha esta que consegue cumprir o objetivo, por exemplo, no grande clímax do filme – assim como feito também nos dois filmes do Batman – segurando a tensão por um longo momento e provocando em nós a aflição necessária para que cheguemos ao fim do enigma.

Entre sonhos, sonhos dentro de sonhos, limbo e realidade, “Inception” mostra-se um blockbuster com conteúdo. Enquanto Nolan deve estar em algum lugar provavelmente se divertindo com os espectadores que pagam duas ou três vezes o ingresso para ver seu filme, nós somos agraciados com a fantasia criada por ele.

Em tempos nos quais assistir blockbusters inteligentes e competentes é raridade, “A Origem” se transforma em um grande acerto, um filmaço, uma pedra preciosa escondida atrás de um enorme orçamento, e vai, com certeza, para a minha estante de filmes assim que ele for disponibilizado para home-video.

De hoje em diante, tomarei mais cuidado com meus segredos quando começar a sonhar.

Publicado originalmente no blog Caverna do Jedi

Pipoca&Letra 007."Toy Story 3"

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Desde 1995, me encanto com as obras da Pixar.

Me lembro bem de ter visto um documentário falando sobre a produção do que viria a ser talvez o maior clássico do estúdio: como havia sido a escolha dos dubladores do caubói Woody e do boneco astronauta Buzz Lightyear; o storyboard completo do filme, e os bastidores daquela que seria a mais importante empresa de animação do planeta – foi amor a primeira vista. Me apaixonei pelo filme e pelos seus responsáveis.

Ganhei de aniversário no ano seguinte ao lançamento nos cinemas o VHS daquela obra prima: Toy Story. É difícil mensurar a tristeza que me abateu quando acabei estragando a fita de tanto assistir àquele maravilhoso longa de animação. Tristeza que foi substituída por outras fitas, mas que jamais me agradaram tanto quanto aquela.

Depois de conhecer outros filmes do estúdio, já com meus 13 anos e assistindo muitos e muitos filmes, tive a chance de ver Toy Story 2 – e mais uma vez me encantei com o universo dos brinquedos, me identificando cada vez mais com o menino Andy, e imaginando se meus bonecos ganhavam vida enquanto eu dormia cansado de tanto brincar com eles.

Quinze anos se passaram desde o primeiro longa animado da Pixar. Minha admiração cresceu a cada filme: Vida de Inseto, Monstros S.A, Procurando Nemo, Os Incríveis, Carros, Ratatouille, Wall-E e Up – cada um com sua peculiaridade, ritmo e personagens que me arrebataram. No entanto, nenhum deles me cativou tanto quanto a velha história dos bonecos devotados ao seu dono, que sempre acabavam se metendo em alguma confusão, e que sempre voltavam para casa no final da história.

Fui ao cinema assistir Toy Story 3 pronto para rever estes velhos amigos. Matar saudade e me encantar outra vez. Mas algo me dizia que desta vez seria especial.

Pipoca&Letra 006."Preciosa"

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Minhas espectativas relacionadas ao filme “Precious” cresceram bastante desde que foram anunciados os vencedores do Oscar 2010, dentre os quais vi ser entregue o prêmio de melhor atriz coadjuvante à excelente e estonteante atuação de Mo’nique e o surpreendente prêmio de melhor roteiro adaptado. Ainda assim, “Preciosa: Uma História de Esperança” (“Precious: Based on the Book ‘Push’ by Sapphire”) conseguiu superar tudo que esperava.

A história de Claireece Precious Jones (Gabourey Sidibe) nos envolve e causa as reações mais variadas em nós, espectadores. Raiva, surpresas, pavor e aflição são alguns dos muitos sentimentos que nos são transmitidos através de atuações que me deixaram boquiaberto do começo ao fim do filme dentro da sala do cinema.

Lembro-me bem do momento no qual a reação dos espectadores me chamou tanta atenção que, depois de um certo esforço para tirar os olhos da tela, voltei-me para a mulher sentada ao meu lado e a vi enxugar os olhos, ainda antes de 30 minutos de filme, percebendo então que a realidade exposta na grande tela começava a incomodar as pessoas que assistiam àquela impressionante pérola do cinema.

Escrever aqui sobre este filme não é uma tarefa fácil para mim, pois não há meios de falar mais profundamente sobre ele sem revelar alguns detalhes. Portanto me proponho aqui a fazer uma crítica superficial, analisando tecnicamente o que meus olhos presenciaram, destacando também os sentimentos que afloraram não só em mim, mas em muita gente dentro da sala do cinema.

O longa nos conta a história de uma jovem obesa e negra que sofre abusos físicos de sua mãe, tem uma filha portadora de Síndrome de Down e espera, aos 16 anos, seu segundo filho. Devido às inúmeras dificuldades e aos traumas sofridos na vida, Precious (Gabourey Sidibe) tem dificuldades de aprender, além de viver tendo devaneios, imaginando como seria sua vida se pudesse viver como uma garota normal. Quando a diretora de seu colégio nota suas dificuldades e decide ajudá-la, indicando-a para uma espécie de educação alternativa, tudo começa a mudar.

Ainda sofrendo com a violência da mãe em casa, Precious passa a frequentar a escola alternativa, onde conhece outras meninas problemáticas e uma professora dedicada, vivida pela excelente atriz Paula Patton (Deja Vu), que se apresenta como Sra. Blu Rain. 

Aos que pensam que a temática da educação alternativa pode funcionar como um tiro saindo pela culátra, já que foi tratado inúmeras vezes na história do cinema, ledo engano. “Preciosa: Uma História de Esperança” acerta em cheio quando joga na nossa cara toda a realidade vivida pela protagonista, que sofre não só com tapas e agressões físicas em casa, mas também com as palavras duras e ofensas proferidas por sua própria mãe.

O filme ainda conta com as boas participações da cantora Mariah Carey e do cantor Lenny Kravitz.
A direção de Lee Daniels nos remete à uma leitura visual do clássico, com uma câmera na mão e closes impecáveis, detectando as mais incríveis expressões faciais e corporais do elenco absurdamente competente.

Os diálogos pesados, o clima oscuro eos detalhes absurdamente mórbidos que se revelam ao passar do tempo nos confirmam o que o crítico Marcelo Forlani escreveu em sua crítica sobre o filme no site Omelete: “Em menos de 10 minutos de filme você vai entender que os seus problemas não são nada perto do que realmente sofrem algumas pessoas mundo afora”.

Seja para apreciar uma excelente obra de arte ou para comparar sua vida e seus problemas aos de Precious, não é permitido à qualquer apaixonado pelo cinema perder este filme. Uma graciosidade violenta, com atuações inacreditáveis e uma realidade arrebatadora. “Preciosa” não é só um título mas o mais justo adjetivo para definir esta pérola. Uma verdadeira preciosidade!

Minha única preocupação, no entanto, é com a classificação indicativa do filme, que no Brasil é de 16 anos – nenhum adolescente nesta idade é capaz de compreender algumas coisas que preferi não revelar neste texto, pois tratam de assuntos mórbidos e até certo ponto estarrecedores. Mas isso, é claro, não tira do filme o merecimento de toda minha admiração. 

“Precious” é simplesmente fantástico!



by GG (Publicado originalmente no "Caverna do Jedi")

Pipoca&Letra 005."A Bacia das Almas"

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Não se engane. O subtítulo "Confissões de um ex-dependente de igreja" não resumem nem um pouco o conteúdo recompensador que encontrei em "A Bacia das Almas".

É claro que alguns, por mero preconceito, criam certa repulsa ao observar tal subtítulo ou simplesmente passar por este livro na estante de uma livraria qualquer e não notar sua presença - ou fingir que não notou - já que aparentemente trata-se de um livro sobre igreja e religião, do ponto de vista de alguém que já não está mais "contaminado" por ambas.

No entanto, para a tristeza dos que recusaram o prazer que é ler Paulo Brabo, este subtítulo fala tão somente do próprio Brabo, e esconde a riqueza do texto  belíssimo contido em "A Bacia das Almas".

Fé, religião, política, literatura, pensamentos, inquietações, provocações e ideias são alguns dos assuntos tratados na Bacia - que nada mais é que a extensão do site http://www.baciadasalmas.com, onde Paulo Brabo ainda escreve suas confissões, medos, conceitos, mas nenhuma conclusão, afinal, como escreveu Ed René Kivitz - falando da bacia - a teologia não está pronta.

Expondo suas impressões sobre os mais variados assuntos, A Bacia das Almas nos entrega um relatório das ideias de seu autor, dentre as quais tive que concordar com muitas e discordar de algumas, sem no entanto desprezar a lucidez de seus argumentos.

Para quem tem coragem de deixar de lado seus (pre)conceitos para, no mínimo, compartilhar das impressões de outro, A Bacia é indispensável e fundamental. 

No entanto, se você é daqueles que acreditam que nada do que te ensinaram está errado e que apenas as suas opiniões e virtudes são válidas e corretas, não ouse olhar para dentro da bacia, pois a surpresa será grande ao ver seu rosto e sua alma espalhados na superfície das confissões deste ex-dependente de igreja chamado Paulo Brabo.

Aliás, "cuidado, este livro traz confissões que podem ser as suas".



by GG

Pipoca&Letra 004."Lunar: Existencialismo Sensível"

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Já é tradição de mercado brasileiro: excelentes filmes são excluídos do circuito cinematográfico e são lançados diretamente em DVD ou Blu-ray, como foi o caso do vencedor do Oscar de melhor filme este ano “Guerra ao Terror”, lançado diretamente em DVD por aqui ainda em 2009.

Mas, ao que tudo indica, este doloroso erro continuará acontecendo, se depender das distribuidoras brasileiras – “Lunar” (“Moon”) não teve e não terá sua vez na grande tela por aqui.

O filme de estreia do diretor Duncan Jones, filho do cantor David Bowie, estrelado pelo maravilhoso porém subestimado Sam Rockwell (“Frost/Nixon”), conta a história de Sam Bell (Rockwell), um astronauta contratado pelas Indústrias Lunar para uma missão de três anos na Lua: extrair uma substância essencial para renovar a energia da Terra, que passa por uma crise terrível. Dentro da Base Mineral Sarang, a única companhia de Sam é o computador Gerty (Kevin Spacey - voz).

No entanto, quando a missão na Lua está próxima de ser cumprida, coisas sem explicação começam a acontecer. Enquanto espera ansiosamente um novo funcionário da Lunar que virá substituí-lo, Sam começa a sofrer delírios e, durante um procedimento de rotina, acaba sendo vítima de um acidente que o deixa desacordado.

Ao despertar do desmaio, Sam Bell irá descobrir coisas terríveis sobre tudo aquilo que viveu nos últimos três anos em sua missão na Lua.

Apesar de sofrer com uma direção pouco primorosa – o que se explica pelo fato de este ser o primeiro filme de Duncan Jones como diretor -, “Lunar” sem sombra de dúvidas deverá ser lembrado como um clássico da ficção científica. A grande metáfora sobre o valor dos sentimentos humanos nos faz refletir e pensar sem parar durante todo o filme. O existencialismo - tema central de "Lunar", e fator explorado do começo ao fim da película - nos é elucidado de maneira sensível, delicada e sem exageros. 

Além disso, Sam Rockwell consegue segurar o espectador na cadeira sendo o único ator em tela, disponibilizando-nos o desfrute de uma atuação impecável e sensível.

Ainda que tenha sido totalmente ignorado pela academia, mesmo depois dos esforços de Jim Jarmush e do autor de quadrinhos Neil Gaiman para que Sam Rockwell fosse indicado ao Oscar de melhor ator, "Lunar" é uma verdadeira pérola da Ficção Científica, recheada de bom humor, suspense e carisma – tudo que um bom filme precisa ter.

Eu recomendo.


PS.: Assista ao trailer clicando aqui.




Escrito por GG, que agora também escreve sobre cinema na Caverna do Jedi.

Pipoca&Letra 003."Um olhar do... paraíso???"

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Antes de começar a expressar aqui meus argumentos, devo desde já pedir desculpas aos que de alguma forma se encantaram com a sinopse ou com o trailer deste filme. Devo também me desculpar com os que assistiram e gostaram, com os fãs de Peter Jackson e com os que acreditam na enrolação espiritual que é divulgada através deste bom filme.

Me interessei desde o início pelo que me é mostrado no trailer: menina morta, pais a procura dela e muito suspense. Lembro-me de ter me apaixonado também pelo elenco, antes mesmo do filme estrear em terras tupiniquins. E, sem sombra de dúvidas, o que mais me chamou atenção em "Um Olhar do Paraíso" (The Lovely Bones) foram as atuações. Mark Walberg fez meus olhos esbugalharem ao enxergar um ator diferente do que estava aconstumado. Saoirse Ronan, que já havia me deixado entusiasmado com sua impressonante atuação em "Desejo e Reparação", aqui dá um banho em Rachel Weisz,que continua chorando, chorando, chorando e chorando (é uma boa atriz, mas me parece mal explorada)e na veterana Susan Sarandon, que dá o ar da graça. Mas o que realmente fez meu queixo cair foi ver a jovem Rose McIver se sustentar diante da malhor coisa do filme: Stanley Tucci. O veterano faz um dos melhores vilões que já vi em toda minha existência! Atuação primorosa e digna de reconhecimento público.

No entanto, existe um problema. Um único porém imenso problema. Quando o filme nos leva para o "paraíso" de Susie (Saoirse Ronan), personagem principal, assassinada aos 14 anos por um maníaco (Stanley Tucci), a trama perde ritmo, sentido e, principalmente, a graça do filme. Apesar do excelente trabalho dos atores, o filme conseguiu me dar sono quando o tal "paraíso" aparecia. Aliás, como chamar de "paraíso" um lugar onde fico preso ao meu assassinato; onde ainda tenho lembranças e, pior, onde ainda tenho um certo tipo de contato com o mundo real???? O título "um olhar do paraíso" mais parece uma piada, como se fosse uma espiadinha pela fechadura - a menina está morta, mas consegue ver os pais sofrendo sua perda, sua irmã crescendo e seu assassino vivo e impune, que grande paraíso!!! Se tirássemos do filme as cenas no outro mundo e recontássemos sua trama sem o blá-blá-blá espírita que envolve todo o enredo, teríamos um filme muito melhor.

A doutrina espírita não faz parte do meu credo, mas não me impede de assistir um filme que trate dela. Mas que isto seja feito com o mínimo de inteligência! Tentar me forçar a acreditar que é possível o contato entre vivos e mortos da maneira mais sem noção possível não vai me fazer engolir as idéias espíritas e, pior, vai me afastar do tema principal do filme: o amor da família pela tal menina morta. Aliás, só consegui entender esta mensagem quando o filme conseguiu voltar ao tema - nas últimas cenas do filme.

Enfim, retirando tudo que aconteceu no outro mundo e recontando a história, "Um Olhar do Paraíso" é sim um bom filme. No entanto, se você quer assisti-lo sem perder o foco na mensagem do filme, esqueça a tradução ridícula do título, traduza o original ao pé da letra: "The Lovely Bones" e descubra o quanto um pai (e uma mãe) pode amar uma filha, mesmo que a morte os separe.


by GG


Pipoca&Letra 002."Substitutos"

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"Substituos" (Surrogates) é, de longe, um dos piores filmes que assisti em toda a minha vida. Péssimas atuações, roteiro complicado e sem nenhum aprofundamento, foco nas questões erradas e a tentativa frustrada (e frustrante) de passar uma mensagem da maneira mais imbecil quanto possível.

A mania de achar que os espectadores são completos idiotas, como já escrevi em outra matéria aqui no Território 7, ainda persiste. O medo de expor alguns detalhes e revelar alguns aspectos totalmente irrelevantes da trama fazem deste "filmeco" uma pérola da inutilidade. 

Bruce Willis consegue dar vida ao personagem (não ao substituto robótico, que mais parece alguns crentes que conheço por aí), mas o homem por trás da máquina, mas ainda assim não consegue segurar o filme, totalmente desprovido de qualquer qualidade que eu possa me lembrar agora.

Mas, mesmo com tantas falhas, ainda consegui fazer um paralelo do filme com a igreja dos dias de hoje. 

Assim como em Substitutos, muitas pessoas preferem deixar o verdadeiro eu em casa e vestir suas máscaras de santidade para viver a "vida de comunhão" dentro dos templos sem demonstrar suas verdadeiras intenções. Muitos preferem comandar os seus "subtitutos", santos e perfeitos, no conforto de seus pecados ocultos e de seu orgulho e presunção. A maioria dos que assumem seus erros e submetem-se a consequência de assumi-los, acaba sendo visto como escória de uma raça perfeita, que jamais comete falhas.

Assim como no filme, quando a nossa máscara cai e o impostor que em nós se esconde é revelado, alguns de nós ainda tenta se esconder atrás dos destroços deste substituto maldito que só nos afasta da presença do Senhor.

Portanto, aqui fica a dica: se for assistir este filme, faça-o tentando encontrar algo de bom... mas já aviso que esta sim, é uma missão impossível.


by GG

Pipoca&Letra 001."A Cabana" Willian P. Young

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Li "A Cabana" já há algum tempo, mas só agora tomei coragem para escrever sobre ele.


O principal erro que cometemos ao ler um livro como este, é o de partirmos do pressuposto de que se trata de um livro "cristão", com conteúdo evangelístico ou algo do tipo. Mesmo que, em sua mensagem principal, Willian P. Young induza-nos a crer em sua concepção de quem é Deus e de como Ele deseja se relacionar com a sua criação, "A Cabana" é uma ficção, e nós não podemos ignorar este fato. Cada parágrafo e cada palavra foram planejados e criados de modo que nos faça refletir na mensagem que está contida na obra literária de Young.


À partir do momento em que nos dispomos a ler uma ficção, independente do objetivo de sua mensagem, precisamos nos desprender de qualquer conceito pré determinado, analisando o livro unicamente por aquilo que nos é apresentado nas páginas que o constituem.


Quando comecei a leitura de "A Cabana", não tinha me tocado da grandiosidade das palavras que se desdobravam diante dos meus olhos. Minhas concepções pré determinadas e meu preconceito não me permitia observar além das palavras. À princípio me afastei da leitura do livro por um longo mês. Não conseguia engolir as idéias desprendidas de Young e tampouco aprender com elas, mas a história que comecei a conhecer me incomodava a cada dia que passava, até o momento que tomei coragem e retomei a leitura, agora tentando me desvencilhar de meus conceitos pré determinados pela minha "bagagem cultural".


"A Cabana" surpreendeu-me quando notei que a essência da mensagem conseguiu superar a polêmica, caminho escolhido pelo autor para nos apresentar as personagens. Parece que minhas idéias sobre todos os elementos do texto me impediam de enxergar além dele. O que quero dizer é que, enquanto não formos maduros para "analisar tudo e reter o que é bom", não poderemos nos aventurar pelas páginas de "A Cabana"  sem desprezar as riquezas nele contidas.


"A Cabana" é cheio de falhas e discrepâncias, chegando às vezes a menosprezar alguns pilares da fé cristã ou até mesmo ignorá-los. Como fonte de "inspiração espiritual", pouca coisa serve em "A Cabana". No entanto, como obra literária, ficcional e imaginativa, ela é capaz de nos levar à reflexões que poucas mensagens são capazes de levar, nos fazendo refletir sobre nosso modo de ver e de conviver com nossas mazelas e com as aflições da vida.


Nota: 8,5
Quanto Custa? Vários Preços




by GG

Pipoca & Letra 000."Introdução"

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O Território 7 lança aqui mais uma série semanal! 


A série "Pipoca & Letra" apresentará críticas de livros e filmes, analisando-os conforme necessário, para que nossa série de "Livros Indicados" tenha melhor respaldo através desta coluna.


Este espaço também substitui o buraco deixado pela extinta coluna "Indicação da Semana", que dedicava-se a indicar blogs, sites, livros e CDs para você, leitor. 


No entanto, a coluna "Pipoca & Letra" terá seu foco apenas em livros e filmes, e você poderá interagir conosco, dando sua nota a cada item analisado aqui. As críticas começam ainda esta semana aqui no blog.


Portanto, aproveite e comece já a indicar o livro ou filme que você quer ver aqui no T-7 mandando sua sugestão através dos comentários neste post.


Com satisfação,
Gustavo Guilherme (GG)


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